Entrevista Roberto de Carvalho

Sábado, 05 Dezembro 2020 00:02



  Por: Rita Ramos Cordeiro

“Criemos metas em nossas vidas e não as percamos de vista. Se forem nobres, o universo conspirará a nosso favor e tudo se realizará.

Em dezembro, está fazendo parte do Clube do Livro Emmanuel o livro Resgate e Libertação, último lançamento de Roberto de Carvalho, pelo espírito Basílio. O escritor já tem trinta e quatro livros espírita, entre romance, juvenil, infantil e dissertações. 

Antonio Roberto de Carvalho tem 56 anos, nasceu em Liberdade - MG, e mora atualmente em São Paulo. Vive uma união estável com Fernanda, é pai de quatro filhos adultos, um enteado também adulto e tem um neto.

Roberto de Carvalho é poeta, escritor, palestrante e editor de livros.

Nesta entrevista concedida ao site do Instituto Chico Xavier, Roberto de Carvalho nos contará um pouco sobre sua trajetória.

Você é um poeta. Como surgiu o seu interesse pela poesia?
O interesse surgiu instintivamente, ainda na infância. Tão logo aprendi a escrever, já comei a rabiscar meus cadernos com versinhos rimados e nunca mais deixei de compor.

Você conquistou uma cadeira na Academia de Letras. Nos conte um pouco sobre isso.
Na verdade, são três: Ateneu Angrense de Letras e Artes, Academia Guanabarina de Letras e Academia de Letras da Grande São Paulo. A indicação ocorre sempre por iniciativa de um membro titular da instituição cultural, depois de analisadas as obras do escritor a ser indicado. E o processo passa pelo crivo de uma comissão deliberativa, que aprovará ou não. No meu caso, as indicações ocorreram por conta de alguns livros de sonetos que publiquei por iniciativa própria e que despertaram a atenção dos acadêmicos dessas instituições.

Quantos livros de poesia você tem publicado?
Cinco: Imersão; Poesias esparsas; Transparência; Andarilhando; Celebração

Como conheceu o Espiritismo?
Por intermédio da minha irmã, Nelsan, que estava fazendo cursos na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) e começou a receber mensagens espirituais direcionadas a mim, dizendo que eu era médio e tinha tarefas a cumprir. Durante algum tempo eu fugi dos compromissos, pois não levava aquelas mensagens muito a sério, até que alguns contratempos existenciais trataram de me colocar no rumo certo. Entrei pela primeira vez em um centro espírita aos quarenta anos e nove meses de idade, tangido pela dor, e nunca mais quis sair.

Qual a importância do Espiritismo em sua vida?
Difícil traduzir em palavras o sentimento de gratidão que tenho para com os amigos encarnados e desencarnados que não desistiram de mim, apesar da minha teimosia. Não consigo imaginar a minha vida hoje sem o Espiritismo.

Você faz parte de alguma Casa Espírita? Desenvolve algum trabalho nesta casa?
Dirijo um trabalho de cura pelo magnetismo, aos domingos, no Grupo Espírita Pescadores de Amor, no bairro de Itaquera, em São Paulo. Além disso, procuro divulgará a Doutrina por meio de palestras em diversas cidades e também por meio das obras psicografadas.

Como iniciei seu trabalho de psicografia com o livro espírita e como foi seu primeiro contato com os espíritos ligados a este trabalho?
Hoje eu tenho certeza de que esse tipo de mudança começou na infância. Quando eu pensava que escrevia intuitivamente, na verdade já estava sendo preparado para o trabalho a ser desenvolvido no futuro. O primeiro livro psicografado chama-se “A cabana das flores” e foi publicado pela editora Aliança, em 2006, pouco mais de um ano depois que cheguei ao espiritismo. Essa foi para mim a maior prova de que a “tarefa” já estava, ainda que inconscientemente, a meio caminho.

Como se dá o trabalho de desenvolvimento de um livro espiritual em parceria com os espíritos?
De formas tão variadas que fica até difícil explicar. Às vezes, uma narrativa vai surgindo no campo mental como uma sementinha que começa a germinar e leva meses ou até mesmo anos para estar pronta. Outras vezes, surge com uma velocidade incrível e em um ou dois meses já pode ser enviado à editora. Acredito que a diferença do processo de escrita tem a ver com as características do autor espiritual, mas também com as condições físicas, emocionais e psicológicas em que o médio se encontra por ocasião da empreitada. De qualquer modo, o resultado é sempre gratificante e o contato com essas entidades iluminadas despertam uma alegria indescritível.

Você já publicou livros para a infância e juventude. Como surgiu esta ideia e como é trabalhar com este público?
Tudo o que escrevo tem por origem a inspiração, que julgo ser atributo da alma. Acredito que essas obras são planejadas e intuídas pelo plano espiritual, num processo de intercâmbio entre os dois planos da vida. As histórias direcionadas aos públicos infantil e juvenil possuem uma leveza especial, uma linguagem simples e ao mesmo tempo repleta de ensinamentos. Trata-se de uma tarefa maravilhosa, que suscita sempre imensa satisfação.

Editorial Você criou o selo Daya. Nos conte um pouco sobre este trabalho.
Eu trabalhei durante sete anos em uma editora e via chegarem várias obras para análise, que eram dispensadas por não atenderem à sua linha editorial. O objetivo de criar o selo Daya foi oferecer a essas pessoas uma chance de terem seus livros, procurando ao máximo os custos e condições de pagamento para que a publicação se torne viável em pequenas tiragens, a partir de 100 exemplares. Já publicamos quase uma centena de livros de dezenas de autores e ficamos felizes em ajudá-los a realizarem seus sonhos.

A humanidade vive um momento muito difícil. O que você acha que os romances espíritas têm a contribuir neste momento?
Bem, se a literatura em si já tem um papel importante como fonte de informação e desenvolvimento cultural, a literatura espírita agrega a esses valores os conhecimentos relativos ao imponderável. Além de prazerosa, é sempre uma leitura confortadora, pacifista e edificante, já que tem por base os fundamentos cristãos. Os esclarecimentos trazidos pelos autores espirituais, traduzidos pela sensibilidade dos médiuns escritores, contribuíram, contribuem e contribuirão sempre para as conquistas morais da humanidade em todas as épocas de sua trajetória.

Vivemos um momento de ódio e cancelamento entre as pessoas, onde os amigos e famílias se distanciam por pensarem diferente. Como evitar todo este processo de incompreensão e desamor?
O único caminho viável para que se estabeleça a harmonia nos motores humanos é nos esforçarmos para colocar em prática que Jesus definiu como o maior dos mandamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. Somente desse modo como ações egoísticas ainda tão atuantes em nós serão substituídos pelo altruísmo, pelo amor universal, e o mundo de regeneração finalmente será implantado em nossa casa planetária, atualmente em fase de provações, mas já se preparando para uma era de luz, compreensão e compreensão compreensão solidariedade.

Seu último lançamento está fazendo parte deste mês do Clube do Livro Emmanuel. Nos conte um pouco sobre este livro.
“Resgate e Libertação” é um romance espírita que aborda diversos temas relacionados ao funcionamento perfeito e imutável das leis universais, mas principalmente sobre a condição de riqueza e pobreza material como provação e instrumento de evolução moral. Apresenta a história de uma família que, tendo abusado da fortuna amealhada na encarnação passada, enfrenta os dissabores da miséria e da perseguição de inimigos espirituais angariados por conta de orgulho, egoísmo e vaidade. É uma obra de leitura agradável e instrutiva que traz para todos nós farto cabedal de reflexão e mudança de postura.

Agradecemos imensamente sua disponibilidade em conceder uma entrevista ao site do Instituto Chico Xavier e pedimos que deixe uma mensagem aos leitores de nosso site.
Não me vejo na condição privilegiada de aconselhar; principalmente porque ainda necessito muito de quem me oriente e aconselhe. Porém acho importante citar duas frases que julgo de vital importância para todos nós:

“Criemos metas em nossas vidas e não as percamos de vista. Se forem nobres, o universo conspirará a nosso favor e tudo se realizará.

“Não deixemos de realizar tarefas edificantes apenas por nos julgarmos incapazes, devido às nossas imperfeições. Pior do que sermos imperfeitos é sermos imperfeitos e improdutivos.